Participação na pesquisa

Convidamos a todos os interessados sobre o tema a participarem no blog enviando comentários sobre suas observações diárias ou eventuais, suas experiências com as árvores da cidade, deixando seu depoimento sobre preferências de espécies, fatos e momentos da vida ligados a esses elementos urbanos.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Árvore-Casa


Dentre os vários sentimentos provocados pela presença de uma árvore, o de abrigo e aconchego é certamente um dos mais fortes. Estar sob uma árvore frondosa pode nos fornecer a  sensação de proteção, de abrigo, assim como o que experimentamos no interior de um espaço seguro e que amamos, como a nossa casa. É a ideia de aconchego do ninho de que nos fala o filósofo francês Gaston Bachelard. A árvore em sua materialidade serve de apoio para os ninhos daquelas criaturinhas cantantes, os pássaros, que alegram a paisagem com seus sons musicais. Para nós, ela também é abrigo, abraçando-nos com seus ramos, amparando-nos com suas folhagens.




A árvore que trazemos para este post – Rosa da Mata - nos remete de forma intensa a condição de acolhimento, este confortante sentimento de ninho.  Sua estrutura robusta de tronco ereto e ramos potentes abrem uma ampla copa e ensejam este abraço imaginário, que nos aparta do mundo ao redor. Ela se fecha em nós, e cria um ambiente de natureza só nosso, impenetrável.  


No Jardim Botânico do Rio de Janeiro tem um exemplar extraordinário desta espécie Brownea grandiceps, originária da Amazônia, com um banco logo abaixo de sua copa - um convite para nos entregarmos a este aconchego. Como luzes que orientam este caminho, suas flores de um vermelho encarnado pendem de seus galhos, para que, comodamente, possamos lhes observar, sem pressa.




Fica aqui uma sugestão de passeio, neste jardim tão precioso de nossa cidade, para assim que a pandemia passar... 






sábado, 18 de abril de 2020

Flamejando a paisagem...


A espécie que destacamos neste post – Flamboianzinho - não é exatamente uma árvore. Ela entra na categoria do que, em paisagismo, chamamos de arvoreta. Em termos botânicos, a Caesalpinia pulcherrima,em sua nomeação científica, é considerada um arbusto.  Sua denominação popular denuncia a associação que é feita desta planta com outra - Delonix regia -, o verdadeiro Flamboiã, que, aliás, é a árvore que ilustra a página de nosso blog. A aproximação botânica entre as duas espécies é notada por fazerem parte da mesma família – Leguminosae-caesalpinioideae -, sendo que, originalmente, pertenciam também ao mesmo gênero – Poinciana. Atualmente, com suas classificações revistas, a relação entre as duas permanece na semelhança de suas flores, principalmente com relação ao formato de suas pétalas e à sua coloração, que pode ser vermelha ou amarela. Entretanto, o porte é uma grande diferença entre elas, para o que o nome popular também chama atenção, aplicando o diminutivo ao arbusto. O Flamboiã-de-jardim, como também é chamado, atinge de 3 a 4 metros de altura, enquanto o Flamboiã alcança de 10 e 12 metros.
Apesar de já terminado o verão, estação em que apresenta maior exuberância na floração, o Flamboianzinho permanece colorindo a paisagem carioca. As colorações quentes de suas flores, que fazem jus a sua nomenclatura popular, estão trazendo um belo diferencial para o outono da cidade.
Com relação ao seu uso paisagístico, com estrutura arbustiva, o Flamboianzinho tem ótima aplicação em cercas vivas. Já como arvoreta, o seu pequeno porte faz com que ele possa ser plantado em locais com pouco espaço, onde muitas vezes não seria possível dispor de uma árvore. Ele pode ser utilizado, por exemplo, em calçadas estreitas, onde normalmente não haveria área suficiente para uma caixa de árvore nas dimensões indicadas para a arborização, desde que seja selecionada uma muda com as características necessárias para tal, com a devida preparação em termos de poda para este uso.
As fotos apresentadas aqui são de exemplares localizados na Praça Nossa Senhora da Paz, no bairro de Ipanema. Suas flores têm estames longos que reforçam seu caráter delicado, como pode ser notado no detalhe. O exemplar de flores amarelas é a variedade Caesalpinia pulcherrima var. flava.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Jamelão ou Azeitona roxa


Jamelão é o nome vulgar desta espécie frutífera originária da India – Syzygium cumini. O termo Azeitona, pelo qual também é conhecida, deve-se a sua semelhança com o fruto da Oliveira, apesar de ter uma coloração arroxeada bastante característica.
A família Myrtaceae, à qual pertence o Jamelão, possui várias outras frutíferas muito comuns e apreciadas no Brasil, como Goiabeira, Pitanga e Grumixama. Os frutos do Jamelão, apesar de comestíveis, não são comercializados, sendo mais consumidos por populações rurais, principalmente crianças.

O Jamelão tem copa frondosa e poderia ser boa espécie para arborização de ruas senão fosse o inconveniente do forte poder de pigmentação de seu fruto. O que estiver em baixo de sua copa na época de frutificação - calçadas, carros, mesas ou tecidos - adquire manchas arroxeadas provocadas pela polpa do seu fruto. Neste sentido, desaconselha-se a utilização do Jamelão para estacionamentos ou para locais de permanência ou circulação de pessoas. Por outro lado, pode haver uma intenção paisagística de explorar este efeito. Apesar de exótica, esta espécie é bem adaptada em várias regiões do Brasil, onde pode apresentar hábito subespontâneo.

O Jamelão das fotos encontra-se na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, e frutificou em janeiro. As calçadas denunciam a presença de seus frutos maduros, que imprimem sua cor arroxeada pelo chão.     
  

sábado, 4 de janeiro de 2020

Neve no Rio


Os ipês brancos no Rio de Janeiro têm proporcionado um espetáculo de grande beleza nestes últimos anos. As imagens deste post comprovam esta afirmação. Eles não são muito comuns na cidade, mas alguns exemplares podem ser admirados Cidade Universitária, na Ilha do Fundão. Aliás, lá foram plantadas várias espécies de ipê, que colorem com diversas cores – branco, amarelo, rosa e roxo - a paisagem do final do inverno e início da primavera. 
As fotos deste post são de um conjunto de ipês brancos - Tabebuia roseoalba -, que floresceram em outubro de 2019, anunciando que a primavera já havia chegado. A Avenida Pedro Calmon, onde as árvores se encontram, normalmente usada para circulação ou espera de transporte, transformou-se em local de parada de pedestres e motoristas, ávidos por buscar os melhores ângulos para registro fotográfico, ou para apreciar calmamente sua beleza. É impressionante observar como a floração das árvores pode transformar a ambiência de um lugar!



Além da Mata Atlântica, esta espécie ocorre também na caatinga e no cerrado, em vários estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Goiás,  Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.  Estes exemplares ainda são jovens, mas já garantem um espetáculo de destaque. Sua flores alvas brilham com a luminosidade do dia e parecem como flocos de neve, tornando o evento ainda mais surpreendente.
Estas imagens nos fazem refletir sobre a presença acanhada dos ipês na paisagem de nossa cidade, pouco numerosos. Poderíamos ter mais exemplares explorando as diversas espécies nativas dos gêneros Tabebuia e Handroanthus espalhados pelas ruas e parques do Rio de Janeiro.
Este post vem, assim, registrar um apelo: por mais ipês em nossa cidade!

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Árvores da Mata no Parque

A Stifftia chrysantha é uma arvoreta originária da Mata Atlântica, natural de alguns estados do Sudeste e do Nordeste, inclusive do Rio de Janeiro. Suas vistosas flores aparecem quase o ano todo revestindo a árvore com delicados pompons dourados.
A Esponja-de-ouro ou Rabo-de cotia, como é conhecida popularmente, tem altura entorno de 3 a 5 metros, troncos múltiplos e delgados, apresentando ramificação baixa. Suas flores são muito apreciadas na decoração, pois duram muito tempo com belo aspecto. Aliás, explorando esta característica e seu formoso aspecto estético, Roberto Burle Marx, paisagista autor do projeto do Parque do Flamengo, a utilizava em seus famosos arranjos com flores e frutos secos. No Sítio onde morava, em Barra de Guaratiba, hoje museu do IPHAN, dispunha estes belos arranjos em mesas e luminárias com variadas espécies. Atualmente, a equipe do Museu mantém esta tradição a partir da composição de arranjos que seguem as orientações do paisagista, decorando a residência aberta à visitação pública.

Apesar de não se prestar à arborização de ruas por possuir baixa altura de fuste e troncos múltiplos, a Esponja-de-ouro pode ser utilizada das mais variadas maneiras, como árvore de pequeno porte ou arvoreta. Belo representante da flora brasileira e da Mata Atlântica em nossas cidades, esta espécie apresenta mais um incentivo ao seu uso paisagístico: suas flores são bastante apreciadas por pássaros. As fotos do post são de um exemplar no Parque do Flamengo.



sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Árvore Religiosa

Vamos retomar neste post uma espécie sobre a qual já falamos aqui no blog, uma figueira bastante comum em nossa cidade – a figueira religiosa. No texto anterior, falamos sobre a forte presença de um conjunto desta espécie na Av. Visconde de Albuquerque, destacando a questão de sua contribuição para a identidade da paisagem. Neste momento, o foco é a mensagem que elas nos trazem no final de ano.
Nativa da Índia e da Tailândia, a Ficus religiosa é uma espécie considerada sagrada em seu local de origem. Segundo a cultura indiana, foi sob esta árvore que Buda recebeu a Iluminação. Seu nome científico revela este significado. Desde o século XIX no Rio de Janeiro, a figueira religiosa foi introduzida no Brasil pelo paisagista francês Auguste Glaziou que a utilizou nos projetos de parques principalmente na cidade do Rio de Janeiro.

Seu porte majestoso e copa frondosa contrastam com a delicadeza de suas folhas com formato sinuoso que finalizam em vértice alongado e pontiagudo, configurando-se uma característica facilmente identificável. São também as folhas que imprimem outra interessante marca desta árvore: no final do ano, há uma renovação de sua folhagem, fazendo com que sua copa transite pelos tons de amarelo e verde claro. 

A aura mística que envolve suas origens transforma esta característica morfológica em mensagem de vida. É como se elas nos ensinassem o movimento de renovação, de recomeço através da associação da transformação cíclica, que faz parte de seu processo vital. Nos últimos suspiros do ano que finda, elas perdem suas folhas para começar o novo ano com folhas tenras, renovadas, com o frescor e a leveza das desobrigações. Assim como nossas expectativas de final de ano, de revisão de nossos projetos, de reestruturação de vida, de recomeço de sonhos no novo ciclo que se abre. As árvores de nossa paisagem nos inspiram e nos ensinam. 

Feliz Ano Novo!



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Jambeiro


O jambeiro é uma daquelas árvores que congregam o prazer de vários sentidos: além da beleza de seu porte e de suas flores de cor rosa intenso, seus frutos são bem saborosos fazendo a alegria do paladar. Como várias frutíferas que temos por aqui, o jambeiro, também conhecido como jambo-vermelho, não é nativo do Brasil, ele é originário da Polinésia, mas já está conosco há muito tempo e é bem adaptado a várias regiões de nosso país. O exemplar da foto encontra-se numa rua do bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.


A espécie - Syzygium malaccence - pertence à família das Myrtaceas e apresenta uma beleza a mais. Quando florida, suas flores ao caírem, desfazem-se, cobrindo o chão de estames que compõem um verdadeiro tapete sob sua copa frondosa. Agora em janeiro, vale observar se temos jambeiros por perto, porque está na época de seus deliciosos frutos!

 (há também uma outra espécie similar, o jambo-branco)